Autor: Luís Roberto Brudna Holzle

Aerogel – do isolamento térmico ao espaço sideral

Você já ouviu falar do aerogel, a famosa “fumaça congelada”? Esse material impressiona por ser um dos sólido mais leve do mundo! O canal Thoisoi2 explicou recentemente o que torna o aerogel tão fascinante e suas surpreendentes aplicações.

Mas o que exatamente é aerogel? Na verdade, não é um único material, mas uma categoria de materiais ultraleves. O Thoisoi2 destacou principalmente o aerogel de sílica (feito de dióxido de silício), mas há versões feitas com óxidos metálicos e carbono, incluindo nanotubos e grafeno.

O aerogel de sílica é translúcido e tem um tom azulado devido ao espalhamento Rayleigh, o mesmo que deixa o céu azul. Formado por mais de 99% de ar, é incrivelmente leve e extremamente frágil—tão frágil que facilmente se desfaz em pó ao toque.

Sua estrutura única é resultado da substituição do líquido de um gel por ar, deixando uma rede sólida altamente porosa. Isso gera propriedades especiais, incluindo um som peculiar ao cair em superfície dura.

O destaque principal é sua excepcional capacidade isolante. Uma flor foi colocada sobre um pedaço de aerogel com um intenso maçarico aplicado diretamente abaixo—e a flor ficou quase intacta, mostrando seu excelente isolamento térmico.

Apesar dessas vantagens, o aerogel clássico é frágil e absorve água facilmente, perdendo suas propriedades especiais. Contudo, já existem aerogéis hidrofóbicos e flexíveis que resolvem esses problemas.

Hoje, aerogel é usado em isolamento térmico em construções, roupas especiais, captura de poeira cósmica pela NASA e até em carros esportivos como o Corvette C7. Com avanços contínuos, novas aplicações ainda estão por surgir.

Veja o vídeo com legenda em português. Ative a legenda pelo YouTube.

Texto e legenda escritos por Luís Roberto Brudna Holzle – Professor Doutor na Universidade Federal do Pampa ( luisholzle@unipampa.edu.br )

Quando Água Encontra Ácidos e Bases: Um Show de Calor

Você já parou para pensar no quanto experimentos aparentemente simples podem revelar informações surpreendentes sobre a química? Hoje vamos falar sobre dois experimentos muito interessantes, ambos usando algo bastante especial: uma câmera termográfica, destacando visualmente as reações exotérmicas que acontecem quando ácidos e bases são misturados à água, gerando calor perceptível pelas cores reveladas na câmera termográfica!

No primeiro experimento, ácido sulfúrico é cuidadosamente despejado em um recipiente com água. O ácido é mais denso que a água, por isso ele afunda imediatamente. O encontro das moléculas do ácido com as moléculas de água libera bastante calor, o que é claramente observado pela câmera termográfica. Porém, algo curioso acontece: apesar de ficar muito quente, a camada ácida permanece no fundo do recipiente, justamente por ser mais densa. É necessário agitar a mistura para distribuir o calor uniformemente e tornar o experimento mais consistente e reprodutível.

O segundo experimento também mostra algo semelhante, mas dessa vez usando pellets sólidos de hidróxido de sódio. Quando colocados na água, eles também afundam e começam a se dissolver. Esse processo gera calor significativo porque a energia liberada na interação das moléculas de água com os íons é maior do que a energia consumida para separá-los. Novamente, a câmera termográfica captura claramente o calor intenso concentrado na parte inferior do recipiente. A agitação ajuda, mas os pellets continuam liberando calor conforme se dissolvem.

Esses dois experimentos simples destacam um ponto importante: tanto substâncias ácidas quanto alcalinas, ao serem dissolvidas na água, geram calor considerável e formam soluções densas. Apesar das pequenas diferenças nas interações causadas pelo tamanho dos íons, o mecanismo geral é muito parecido.

Texto e legenda escritos por Luís Roberto Brudna Holzle – Professor Doutor na Universidade Federal do Pampa ( luisholzle@unipampa.edu.br )

Carbono em destaque: o fascinante antracito

No vídeo especial do canal Periodic Videos sobre o sexto dia de Natal (de 2015), o tema central foi o antracito, uma variedade especial de carvão quase puro, feita essencialmente de carbono.

O Professor Sir Martyn Poliakoff mostra uma bela amostra de antracito, enviada por um fã do YouTube, destacando sua aparência quase metálica, brilhante e leve, algo que talvez não esperássemos encontrar num pedaço de carvão.

Em seguida, ele mostra as cinzas que restam depois da queima do antracito. Curiosamente, essas cinzas são formadas por minerais naturalmente incorporados ao carvão. Outro detalhe interessante é como o antracito queima: sua chama é praticamente invisível, quase incolor e muito limpa, sem produzir a fumaça escura típica de outros tipos de carvão.

Este vídeo faz parte de uma série especial do canal chamada “Os 12 dias de Natal”, sendo que neste sexto dia o destaque fica para o elemento carbono.

Além disso, o vídeo menciona rapidamente um dispositivo muito importante em qualquer laboratório: um regulador de pressão de gás, essencial para garantir a segurança durante a realização de experimentos.

O vídeo abaixo tem legendas em português. Ative a legenda pelo YouTube. .

Texto e legenda escritos por Luís Roberto Brudna Holzle – Professor Doutor na Universidade Federal do Pampa ( luisholzle@unipampa.edu.br )

Vídeo sobre o ácido tartárico

Ainda estamos bem longe do Natal, mas em dezembro de 2015 foi lançado um vídeo especial no YouTube, no canal Periodic Videos, trazendo uma seleção curiosa: presentes com temas químicos enviados por telespectadores e coletados durante viagens ao redor do mundo.

O primeiro destaque da série é um depósito sólido retirado de um barril de vinho em uma vinícola suíça. Esse local, por sinal, pertence ao presidente da Academia Suíça de Ciências — um detalhe que torna o presente ainda mais interessante. O material foi solicitado pelo próprio apresentador e, segundo informado, trata-se de ácido tartárico, embora também possa ser um tartarato.

Mas por que isso importa para a química?

O ácido tartárico é uma molécula fascinante. Foi uma das primeiras a demonstrar a existência de formas quirais — as versões “canhota” e “destra” de uma substância, um conceito fundamental em química orgânica e bioquímica. Além disso, uma pequena quantidade desse ácido permanece no vinho, contribuindo com seu sabor característico.

E a celebração não termina por aí: o apresentador promete revelar outros presentes químicos ao longo dos 12 dias de Natal. Uma ótima oportunidade para quem ama ciência e quer conhecer curiosidades envolvendo elementos, compostos e histórias surpreendentes da química no nosso dia a dia.

Veja abaixo o vídeo sobre o Ácido Tartárico. Com legenda em português – ative a legenda pelo YouTube.

Leia também:
Scientia Vitis: Decantando a Química do Sabor do Vinho

Texto e legenda escritos por Luís Roberto Brudna Holzle – Professor Doutor na Universidade Federal do Pampa ( luisholzle@unipampa.edu.br )

Dissolvendo vidro em ácido

O canal no YouTube Thoisoi2 apresenta uma demonstração impressionante de um experimento clássico: a dissolução de vidro em ácido fluorídrico.

Logo no início, o criador do canal faz um alerta importante sobre os riscos envolvidos no manuseio dessa substância. O ácido fluorídrico é extremamente perigoso — e o vídeo mostra imagens impactantes de queimaduras químicas causadas por ele. Mais do que uma queimadura comum, a exposição ao ácido fluorídrico pode levar a acidentes graves, e em casos extremos, ser fatal. Por isso, é essencial ressaltar: nunca manuseie esse material sem o uso rigoroso de equipamentos de proteção adequados.

Além da reação com o vidro, o Thoisoi2 também demonstra como o ácido interage com metais como zinco, titânio e háfnio, destacando as diferenças entre eles. O vídeo ainda traz comentários sobre as principais aplicações industriais do ácido fluorídrico, ampliando a compreensão sobre a importância e os riscos desse composto no contexto químico e tecnológico.

Vídeo com legenda em português. Ative a legenda pelo YouTube.

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Carne de galinha em ácido fluorídrico
Lâmpada em ácido fluorídrico

Texto e legenda escritos por Luís Roberto Brudna Holzle – Professor Doutor na Universidade Federal do Pampa ( luisholzle@unipampa.edu.br )

Extração de Ácido Acetilsalicílico a Partir de Comprimidos

Muitos medicamentos comuns de venda livre contêm ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) que podem ser isolados através de processos químicos relativamente simples. Um vídeo publicado no canal NileRed explora a extração de um desses compostos bem conhecidos: o ácido acetilsalicílico (AAS), o ingrediente ativo nos comprimidos de Aspirina.

Este procedimento não é meramente um exercício acadêmico em purificação; ele serve como o primeiro passo crucial em um ambicioso projeto de síntese multi-etapas visando converter aspirina em outro analgésico comum, Tylenol (paracetamol). Esta via de conversão é quimicamente viável porque tanto a aspirina quanto o Tylenol compartilham o fenol como um precursor estrutural comum. A rota de síntese planejada envolve:

  1. Extração de AAS dos comprimidos de aspirina (este processo).
  2. Hidrólise de AAS para ácido salicílico.
  3. Descarboxilação de ácido salicílico para fenol.
  4. Nitração de fenol para produzir p-nitrofenol (juntamente com o-nitrofenol).
  5. Redução de p-nitrofenol para p-aminofenol.
  6. Acetilação de p-aminofenol para produzir Tylenol.

O processo inteiro, esperado para abranger seis etapas distintas, destaca técnicas fundamentais de química orgânica.

O Procedimento de Extração

A extração detalhada aqui começa com comprimidos de aspirina de 500mg disponíveis comercialmente.

  1. Preparação: Os comprimidos são primeiro completamente triturados até formar um pó fino para maximizar a área de superfície.
  2. Dissolução: A aspirina em pó é transferida para um béquer, e acetona é adicionada como solvente. O ácido acetilsalicílico é solúvel em acetona, enquanto muitos dos aglutinantes e excipientes usados nos comprimidos não são. A mistura é aquecida até o ponto de ebulição da acetona com agitação para dissolver o máximo possível de AAS.
  3. Filtração a Quente: Para separar a solução de AAS dissolvido dos excipientes insolúveis, realiza-se uma filtração a quente.
  4. Remoção da Acetona e Recuperação do AAS: O filtrado de acetona, agora contendo o AAS dissolvido (e algumas impurezas solúveis como o corante), é coletado. Embora a evaporação simples seja uma opção, a destilação foi escolhida aqui para recuperar o solvente acetona. À medida que a acetona é destilada, a concentração de AAS aumenta, eventualmente excedendo seu limite de solubilidade, fazendo-o cristalizar como um sólido branco (ou levemente tingido).
  5. Recristalização (Purificação): O AAS bruto obtido ainda contém impurezas, notavelmente o corante da marca específica de comprimidos utilizada. Para purificar o AAS, emprega-se a recristalização em água.
  6. Cristalização Final e Coleta: A solução quente, límpida e filtrada é deixada esfriar lentamente até a temperatura ambiente, então potencialmente resfriada ainda mais (por exemplo, em um banho de gelo) para maximizar a formação de cristais. À medida que a solução esfria, a solubilidade do AAS cai drasticamente, e cristais puros se formam, deixando a maioria das impurezas solúveis restantes para trás na água. Os cristais purificados de AAS são coletados por filtração a vácuo, lavados com uma pequena quantidade de água destilada fria (para enxaguar impurezas residuais sem dissolver produto significativo) e deixados para secar.

Resultados e Observações

Esta extração rendeu 94 gramas de ácido acetilsalicílico, representando uma recuperação impressionante de 94% a partir dos 100 gramas iniciais presentes nos comprimidos. Apesar da recristalização, o produto final manteve uma leve tonalidade rosa devido ao corante vermelho persistente dos comprimidos.

Próximos Passos

O ácido acetilsalicílico extraído e purificado com sucesso está agora pronto para a próxima etapa da síntese: hidrólise para ácido salicílico, que será detalhada em uma parte subsequente desta série de vídeos.

Assista ao Processo e veja todos os detalhes técnicos no vídeo.

(vídeo com legenda em português. Ative a legenda pelo YouTube)

Veja também:

A química dos analgésicos

Texto e legenda escritos por Luís Roberto Brudna Holzle – Professor Doutor na Universidade Federal do Pampa ( luisholzle@unipampa.edu.br )